O antigo ministro das Finanças Medina Carreira afirmou esta quarta-feira que Portugal estĂĄ «a caminho de uma grande crise financeira pĂșblica» que deverĂĄ instalar-se em «poucos anos», porque nĂŁo atrai investimento e nĂŁo fez o ajustamento orçamental necessĂĄrio.

«Com este panorama europeu, com a incapacidade para executar aqueles mĂ­nimos essenciais para atrair investimento e com incapacidade para reduzir despesa pĂșblica, diria que estamos a caminho de uma grande crise financeira pĂșblica em Portugal dentro de poucos anos», afirmou o economista em declaraçÔes transmitidas numa conferĂȘncia da sociedade de advogados RogĂ©rio Fernandes Ferreira e Associados, esta quarta-feira, em Lisboa, sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2015.

Medina Carreira antecipa que «é muito provåvel que, num prazo ainda relativamente curto», Portugal tenha «uns soberanos financeiros mandatados pelos credores».

O ex-ministro do governo de MĂĄrio Soares fez um retrato da evolução da despesa e da receita do Estado nos Ășltimos anos, sublinhando que a recomendação da troika de que o ajustamento fosse feito em dois terços por via da redução da despesa e em um terço pelo aumento da receita nĂŁo se verificou.

«Como isso nĂŁo aconteceu – porque as despesas que estavam para cair 66% vĂŁo cair 22% e os impostos que estavam para subir 30% vĂŁo crescer 78% -, tudo aquilo que eram as previsĂ”es financeiras ficaram bastante abaladas», disse.

Medina Carreira destacou que «a primeira necessidade que tem de se satisfazer Ă© o crescimento econĂłmico», o que Ă© particularmente difĂ­cil porque tambĂ©m «a Europa nĂŁo tem crescimento que se veja», concluindo que «se a economia nĂŁo crescer terĂŁo de ser desenvolvidas polĂ­ticas de controlo e restrição das despesas que nĂŁo tĂȘm sido aplicadas tambĂ©m por causa do Tribunal Constitucional».

No que se refere à melhoria da atractividade do investimento nacional e internacional, o advogado considera que «aqui o Governo não cumpriu», referindo-se, entre outros aspetos, ao sistema judicial que é pouco amigo do investimento.