A filha do presidente angolano vai poder assim entrar, a título pessoal, no capital do BCP, tendo a luz verde para esta operação sido comunicada pessoalmente a Isabel dos Santos, em audiência privada, pelo próprio António Costa. Consequência imediata: como a Sonangol, que Isabel também controla, é hoje o maior acionista do BCP, este passará a ser um banco privativo da família do presidente angolano.

A intermediação na venda do BCP por parte do Governo de Lisboa é uma atitude que envergonha o Estado português, o seu sistema financeiro. Esta é uma situação que não se pode admitir num estado democrático europeu moderno.

Em primeiro lugar, porque o Governo se imiscui assim na vida de um banco privado, duma forma intervencionista inadmissível, violando os direitos dos legítimos accionistas do banco e colocando em xeque a transparência e a confiabilidade da Bolsa de Lisboa.

Tudo isto apenas para poder satisfazer um capricho de Isabel dos Santos, que se quer manter banqueira na Europa, no momento em que vê em risco a sua participação num outro banco, o BPI. BPI cuja Administração vai ser ajudada, também por António Costa, na entrega do banco aos espanhóis do La Caixa.

Em segundo lugar, porque não há qualquer justificação para esta subserviência dos órgãos do Estado português às vontades da família de Eduardo dos Santos que, em Portugal, parece dominar toda a classe política, da direita à esquerda. Subserviência que é perversa para Portugal e é já crónica. Toda a família se movimenta impunemente no território geográfico e empresarial português.

Isabel adquire participa√ß√Ķes em empresas portuguesas com cr√©ditos obtidos na banca‚Ķ em Portugal. Mas tamb√©m Marta dos Santos, irm√£ do Presidente, usufruiu dum cr√©dito de 800 milh√Ķes de d√≥lares, provenientes do banco portugu√™s BES para financiar os seus neg√≥cios imobili√°rios em Talatona. Tamb√©m foi proveniente do BES o capital com que os filhos adquiriram uma herdade em Aveiras de Cima. Tudo isto s√≥ se tornou poss√≠vel com a coniv√™ncia dos partidos pol√≠ticos portugueses: desde a cumplicidade do PCP, partido ‚Äúirm√£o‚ÄĚ do MPLA, e do Partido Socialista, parceiro de Dos Santos na Internacional Socialista ‚Äď ao interesse activo de empres√°rios ligados ao PSD e ao CDS.

Esta atitude de apoio do Governo portugu√™s a Isabel dos Santos √©, ainda por cima, assumida com uma justifica√ß√£o mais do que esfarrapada. Com o argumento de que n√£o quer permitir a ‚Äėespanholiza√ß√£o‚Äô da Banca portuguesa ‚Äď supostamente assediada por banqueiros espanh√≥is ‚Äď Ant√≥nio Costa entrega um banco‚Ķ a espanh√≥is; e o outro, para evitar a ‚Äėespanholiza√ß√£o‚Äô, vai parar √†s m√£os dos capitais corruptos da fam√≠lia Dos Santos.

 

INADMISS√ćVEL COBERTURA AOS NEG√ďCIOS CORRUPTOS DA FAM√ćLIA DOS SANTOS